MANUAL DO NOVO NORMAL 20.20

O ensaio parte da pesquisa em torno do uso das linguagens visuais para transmissão de conteúdo instrumental, relacionado às tarefas práticas e manuais. O uso e difusão dessas imagens nas mídias e redes sociais se estabelecem como um marco na contemporaneidade. Esse pensar também é permeado pela pós-fotografia em seu questionamento quanto ao uso social das imagens. O recorte desse trabalho, que está em processo de desenvolvimento, apresenta uma série de polípticos de 9 imagens cada, propondo uma ressignificação visual do “passo-a-passo”, característica da estrutura “manual/receita”. As imagens formadas por essa junção de ações, apresentam situações hoje rotineiras dentro da dinâmica interpessoal da quarentena, imposta pela pandemia de coronavirus. Novos hábitos, novos dilemas e novas possibilidades surgem.

 

Desse modo, as imagens também são atravessadas pelo sentido metafórico das ações, que possuem, por vezes, um significado histórico ou apresentam possibilidades de intervenção no momento do agora, da conjuntura política do Brasil e do mundo. As imagens também buscam romper a documentação tradicional ao documentar o memento através de uma sintaxe visual do universal e da contextualização através da mão em atividade e sua relação com os objetos do cotidiano. A título de exemplo, as imagens têm início com uma metáfora, do “lavar as mãos”, ato político presente no imaginário popular desde Pilatos, e termina com a confecção de arma de luta social artesanal, o “Coquetel Molotov”, em consonância com o momento de tensionamento das contradições estruturais de nossa sociedade e do sistema político e econômico, que dá início a processos de luta social e rebelião de setores que possuem direitos violados pelo próprio sistema. Assim, é um trabalho produzido a partir das inquietudes e angústias sobre esse “novo normal” ainda difícil de compreender.